Como transmitir a personalidade da sua marca na identidade visual

Quando falamos em criar a identidade visual de uma marca, não se trata apenas de fazer escolhas conforme o próprio gosto para sua comunicação. A identidade visual tem como função comunicar os atributos da marca para o público, de forma que aproxime as pessoas e cause o impacto desejado. 

É uma poderosa ferramenta para transmitir a personalidade da marca e se destacar frente aos concorrentes do mercado, além de ser uma maneira de se conectar com seu público através de elementos que fazem sentido para o relacionamento entre marca e as pessoas.

Por isso, se você vai criar a identidade visual da sua marca por conta própria ou se vai contratar um profissional para isso, esqueça por um momento seus gostos pessoais e concentre-se nas dicas a seguir para que a identidade da sua marca seja um fator favorável ao seu sucesso.

1. Escolha atributos que você quer transmitir com sua marca

O primeiro passo é escolher os atributos que você deseja comunicar com sua marca e usá-los para transmitir a personalidade da sua marca através da identidade visual. 

Minha sugestão é que você selecione todas as qualidades que acredita fazerem parte do universo da marca e, em sequência, escolha as três principais entre elas. Um bom exercício é escrever quem é sua marca em uma sentença curta e simples, usando as principais características que a definem.

Com o restante das qualidades escolhidas, tente separar dois grupos: em um deles, coloque aquelas características que devem ser obrigatoriamente comunicadas visualmente para seu público. 

No outro grupo, ficam os atributos secundários da marca, que devem ser trabalhados na comunicação como um todo, mas que não possuem prioridade.

Abaixo, confira a lista de atributos que você pode usar como referência para a criação da personalidade da sua marca:

  • Extrovertida
  • Alegre
  • Brincalhona
  • Séria
  • Conservadora
  • Moderna
  • Elegante
  • Discreta
  • Delicada
  • Madura
  • Aventureira
  • Rebelde
  • Tradicional
  • Sábia
  • Exclusiva
  • Criativa
  • Científica 
  • Romântica
  • Ousada
  • Grande
  • Arrogante
  • Sóbria
  • Formal
  • Futurista
  • Antiga
  • Irreverente
  • Tranquila
  • Confiável
  • Profissional
  • Analítica
  • Arrojada
  • Sábia
  • Artística
  • Modesta
  • Deslumbrante
  • Padronizada
  • Inocente
  • Livre
  • Acadêmica
  • Estável
  • Sutil
  • Moderna
  • Básica
  • Rigorosa
  • Sonhadora
  • Idealista
  • Agressiva
  • Pequena
  • Convencional
  • Radical
  • Simples
  • Grosseira
  • Atrevida
  • Pequena
  • Cotidiana
  • Multifacetada
  • Refinada
  • Popular
  • Industrial
  • Comum

2. Crie um mapa mental da personalidade da sua marca

Crie um mapa mental com os principais termos que definem sua marca. Além dos atributos de personalidade, você pode acrescentar termos e conceitos relacionados à sua marca e ao seu negócio, além dos objetivos e informações sobre seu público.

Você pode usar o MindMeister para criar um mapa mental ou mesmo a velha ferramenta do papel e caneta! A vantagem do mapa mental é permitir que você visualize de forma ampla o universo da sua marca e tenha insights sobre como comunicá-lo ao público.

3. Pesquise referências visuais para sua marca

Use os atributos escolhidos para pesquisar por referências visuais, como fotos, ilustrações, padronagens, decoração de espaços, design de outras marcas… Uma boa dica para a pesquisa de referências é buscar por termos em inglês, para ter mais opções de resultados para o que você procura.

Traduzir esses conceitos em imagens vai ajudar muito a captar quais são os elementos que você deve usar para desenvolver sua comunicação visual. É muito comum termos dificuldade de explicar o que imaginamos ou planejamos, e as imagens certamente ajudam muito a expressar tudo isso.

 

Busque também referências de pessoas, personalidades que possuem as características que você deseja comunicar e que te inspiram.

 

Alguns sites para você buscar referências visuais:

  • Pinterest (marcas, design de interiores, arquitetura, fotografias etc);
  • Behance (marcas, ilustrações, imagens profissionais etc);
  • Dribbble (marcas, ilustrações, imagens profissionais etc);
  • Pexels (fotografias);
  • Unsplash (fotografias);
  • Adobe Color (paletas de cores);
  • Logobook (desenhos de logos, principalmente símbolos de marcas);

4. Escolha o estilo visual que deseja usar para sua marca

Depois de pesquisar as referências visuais, perceba quais são os estilos visuais que comunicam o que você quer e use-os como ponto de partida para a criação da sua identidade visual. 

Perceba quais são as tonalidades de cores que fazem sentido para sua identidade visual (vibrantes? opacas? neutras? tons pastel?), quais são os estilos tipográficos, os tipos de elementos que compõem as imagens… notar os detalhes vai te permitir ampliar seu olhar sobre os elementos que podem fazer parte da sua identidade visual e torná-la única.

Nesta fase, vale também conferir quais cores e que tipo de tipografia vão combinar com os atributos da sua marca. Para isso, confira meus artigos sobre a Psicologia das Cores e O Guia tipográfico para você usar no seu projeto.

5. Faça os ajustes finos da identidade visual da sua marca

Tendo em mente o estilo visual que você deseja usar para a sua identidade visual, agora só faltam alguns ajustes para que seu projeto tome forma. Abaixo, você encontra um checklist para cuidar de todos os detalhes da sua identidade:

Escolha uma paleta de cores

Depois de pesquisas quais as melhores cores para representar sua marca, 

A cor é um elemento extremamente forte na comunicação visual, sendo associada a atributos e características inconscientemente pelas pessoas. Mas se você não é um designer, ilustrador ou artista, não precisa se aprofundar no estudo das cores para escolher a paleta que vai usar no seu lançamento.

Minha principal dica é: simplifique! Escolha uma cor principal para seu lançamento e duas outras para completar sua paleta. Para isso, você tem algumas opções:

  • escolher uma cor principal e usar cores neutras, como o branco, o cinza, o bege ou o preto para complementar as criações. Essa é a opção mais simples e funcional, ideal para quem não tem muito tempo para investir na criação de artes.
  • trabalhar com tonalidades da cor escolhida. Por exemplo, se você escolheu usar o verde, sua paleta pode ter três tonalidades diferentes de verde, do mais claro ao mais escuro, criando contraste e dando dinamismo para seus posts e páginas.
  • escolher cores complementares à cor principal, gerando assim um alto contraste visual. Para isso você vai precisar usar o círculo cromático (indico o site color.adobe.com). Seguindo o exemplo do verde, temos como cor complementar o vermelho. Como as duas cores causam um alto contraste, escolha uma terceira cor neutra para compor seus materiais, como o branco, o cinza ou o preto. Muito cuidado para não “pesar” demais seus materiais ao se trabalhar as cores complementares. Sempre observe o resultado de suas criações e tenha bom senso nas escolhas.

Escolha a tipografia

Depois de ter em mente o estilo tipográfico que você deseja para sua marca, é hora de escolher entre as várias opções de tipografia disponíveis por aí. 

É muito importante ressaltar que as famílias tipográficas possuem direitos autorais, por isso não se pode usar qualquer fonte sem verificar se ela é opentype (direito de uso livre) ou se ela precisa ser comprada para ser usada.

Vamos a um exemplo prático: se você se decidiu usar uma fonte estilo handlettering (escrita à mão) para sua marca, você agora tem que escolher entre as diversas opções existentes no mercado.

Se você não pode investir em uma fonte paga, minha sugestão é que use o Google Fonts, site que reúne diversas famílias tipográficas de uso livre, inclusive comercialmente. Não há melhor opção no mercado. 

6. Crie um guia de identidade visual da sua marca

Quando um designer de marcas finaliza um projeto de identidade visual, normalmente ele entrega ao cliente o Manual de Identidade Visual, um documento que contém a sistematização do que foi criado durante o processo. Esse documento serve como guia para que os profissionais que trabalham com a marca mantenham sua consistência visual. O mesmo acontece com projetos de estratégia de marca, quando ao final do processo é criado o Brandbook.

Mas, o que fazer quando está criando a própria identidade visual? Minha dica é que você reúna em uma pasta todas as informações que você precisará para trabalhar o visual da sua marca. Assim, você facilita seu trabalho e o deixa mais rápido, além de cometer menos erros ao longo do caminho.

Você pode usar uma pasta no Pinterest, por exemplo, para reunir as referências visuais que selecionou para a sua marca. Assim, sempre que estiver em dúvida sobre como criar um material ou precisar de uma dose de inspiração, você terá em mãos uma seleção própria para se basear.

Outra dica prática é ter um documento com o registro de suas escolhas para a comunicação visual e verbal da sua marca, como os códigos das cores e as tipografias escolhidas para a marca, os tipos de gradientes ou texturas, entre outros elementos visuais.

Assim, você terá como consultar seu guia de marca sempre que necessário para tomar decisões coerentes e consistentes para sua marca.

Espero que este conteúdo sobre personalidade de marca possa te ajudar a valorizar ainda mais a sua marca. 

Nathália Quintão

Nathália Quintão

Designer especialista na criação de identidade de marcas.